
Foto: Agência O DIA
“Sei o que todo mundo sabe: Lindberg fez acordo com Sheila no qual ele sairia para disputar eleição para o governo ou o Senado”, afirma o presidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, Marcos Fernandes (DEM).
“Alguém largaria o mandato de deputado sem ter a garantia que assumiria o cargo de prefeito depois?”, questiona o vereador e secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), referindo-se ao fato de Sheila Gama ter renunciado ao seu mandato na Alerj para ser vice de Lindberg.
O petista tem longa jornada. Seu principal problema é articulação promovida pelo governador Sérgio Cabral e seus aliados. Eles tentam diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o enquadramento de Lindberg, para o PT do Rio se aliar ao PMDB pela reeleição de Cabral já no primeiro turno. O principal argumento é a aliança nacional dos dois partidos em favor da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência. Lindberg depende também da composição do PT e do PMDB nas disputas pelo governo em outros estados, como a Bahia.
“A campanha custa uns R$ 30 milhões. Se o partido bancar com recursos próprios e sem contribuições de empresas que nos deixem de rabo preso, concorro”, sinalizou Montes.
Juiz poderá virar prefeito
Caso Sheila Gama assuma a Prefeitura de Nova Iguaçu e, durante o início do mandato, precise se ausentar do cargo, quem assumirá será o juiz diretor do Fórum de Nova Iguaçu. A situação inusitada está prevista na Lei Orgânica do município. Primeiro na nova linha sucessória, o presidente da Câmara, vereador Marcos Fernandes (DEM), estará impedido de exercer o cargo porque concorrerá a uma vaga na Assembleia Legislativa.
Os acordos entre PT e PDT de divisão de mandatos não costumam dar certo. Em 1998, uma aliança elegeu Saturnino Braga (PT) senador pelo Rio, com o atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), como primeiro suplente. Braga ficaria nos primeiros quatro anos do mandato, Lupi nos últimos. O petista acabou não cumprindo o combinado, e o pedetista chegou procurar a Justiça para fazer valer o seu ‘direito’. Mas perdeu.
Indefinição de crime gera medo nos bastidores da política
Considerado braço-direito da vice-prefeita Sheila Gama (PDT), o empresário Luiz Carlos Duarte Baptista, o Carlinhos da Tinguá, 67 anos, foi assassinado na manhã do dia 19 de março, na Via Light, em Nova Iguaçu. As circunstâncias do crime estão longe de um esclarecimento, conforme inquérito policial da 52ª DP (Nova Iguaçu).
Amiga de Carlinhos, Sheila Gama disse, à época do crime, que não tinha dúvidas que os autores dos disparos — dois homens numa moto — foram os mesmos que, em 6 de fevereiro, invadiram armados a sede do PDT, em Nova Iguaçu. Como não encontravam o que procuravam, foram embora. Neste dia, Carlinhos e Sheila chegaram atrasados à reunião.
O clima de medo ronda os bastidores da política no município e ninguém fala sobre os motivos que teriam levado à morte do empresário, um dos mais bem sucedidos na região. Ele chegou a ser presidente da escola de samba Beija-Flor em 1993.
O secretário de Economia e Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), afirma que a falta de solução do crime gera instabilidade. Em sua opinião, Sheila fará um governo de coalização com o PT, mas disse não ter dúvidas de que o marido dela, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Aluísio Gama, terá papel importante no governo, sobretudo por já ter sido prefeito de Nova Iguaçu de 1989 a 1993.
Reportagem de Alfredo Junqueira e Marcos Galvão
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