RIO - O cabo da Polícia Militar Emerson Meirelles, acusado de ser um dos assassinos da chacina em que quatro pessoas foram mortas, no sábado, na Ilha de Guaratiba, era integrante da segurança da família do governador Sérgio Cabral, segundo uma nota enviada no domingo pelo Palácio Guanabara. O cabo, suspeito de integrar uma milícia, era lotado na Diretoria Geral de Pessoal da Polícia Militar, e foi preso por envolvimento nos assassinatos, numa guerra ligada à disputa de milicianos pelo serviço de distribuição de TV a cabo clandestina na região.
Na manhã desta segunda-feira, o governador Sergio Cabral declarou esta manhã que não conhecia o cabo da PM. Ele afirmou ainda que ficou preocupado porque o policial fazia a segurança particular de um de seus filhos. O governador disse, no entanto, que confia no trabalho realizado pelo Gabinete Militar do governo, e que foi informado de não havia nenhum tipo indício de envolvimento do cabo em crimes.
- Isso foi muto grave. Graça a Deus nossa polícia o prendeu. E se for comprovado, como me parece que tem todos os indícios, que ele participava deste tipo de atividadae e participou do cirme. Para mim, policiais que se envolvem com crime são duas vezes bandidos. Ele te que ser punido rigorosamente, sendo expulso da polícia e sendo preso - declarou Cabral, que na manhã desta segunda-feira participou da abertura do seminário "Cenários e perspectivas para o Brasil", realizado como parte das comemorações pelos 40 anos do caderno de Economia do jornal o GLOBO.
No domingo, Cabral já havia determinado rigor máximo na punição do policial, que poderá culminar em sua expulsão da PM. Ele vai responder a inquérito administrativo e Inquérito Policial Militar (IPM). Além de Emerson, seu irmão, o cabo da PM Cleiton Meirelles, lotado no Batalhão de Choque da Polícia Militar, também está preso no Batalhão Especial Prisional, em Benfica.
O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que as investigações demonstram que o crime pode estar relacionado a uma ação de milicianos da região.
- Vamos atuar contra esses grupos, sejam eles formados por policiais civis, militares ou federais. Se confirmada a participação dos policiais na chacina, os dois suspeitos serão expulsos da corporação - disse Beltrame, acrescentando que cerca de 160 milicianos foram presos desde que assumiu a secretaria.
A quarta mulher assassinada no sábado foi identificada como Raíssa, pela Polícia Civil, que ainda trabalha na identificação da vítima. De acordo com o delegado Renato Soares Vieira, titular da 43ª DP (Guaratiba), ela aparenta ter 28 anos. Os outros mortos são Flávio Augusto Silva, de 15 anos, Luana Cristina Nascimento Ramos, de 26, e Michel Barbosa, de 19. Os corpos foram encontrados no início da tarde de anteontem, na Estrada de Guaratiba, na altura do número 963. Um casal estava dentro de um fusca prateado e as outras vítimas estavam perto do veículo. No carro, foram encontradas dezenas de fichas de cobrança do serviço de TV a cabo.
Cléber Santos Moreira, que seria marido de Luana, foi baleado de raspão na cabeça, mas conseguiu fugir pela mata e foi levado ao Hospital Rocha Faria, em Campo Grande. O delegado confirmou que Cléber reconheceu os PMs e afirmou que as armas usadas pelos dois policiais serão enviadas para a perícia.
No fim de março, três homens também foram mortos a tiros após saírem de um bar na Ilha de Guaratiba. Os corpos foram encontrados perto de um carro, que pertencia ao pai de uma das vítimas.
Fonte: Antero Gomes - Extra e Simone Cândida - O Globo
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